quinta-feira, 20 de abril de 2017

Molho de cacau apimentado

Eu sei, é uma imitação mequetrefe do mole poblano mexicano. Lourdes Hernández, minha amiga, há de me perdoar, há de levar em consideração meu esforço e considerar a tentativa não como uma apropriação cultural mas uma admiração pela comida do México e pelo seu povo ainda que não conheça o país. Que considere apenas como uma homenagem. Gosto de constatar que os ingredientes daqui podem se adaptar para fazer pratos parecidos com os de lá, com outras técnicas, outras combinações.

Já fiz oficina com a Lourdes que ensinou como fazer um mole poblano verdadeiro, mas na falta de alguns ingredientes que ela usou  como a folha de abacate anisado ou tomatillo, fiz com o que tinha. Não precisamos chamá-lo de mole mas podemos chamar de molho de chocolate com especiarias, que está tudo certo. Queria especialmente usar o cacau em barra que ganhei de uma amiga. Não consegui enxergá-lo como doce, mas parece que pedia umas pimentas, umas especiarias. Então fiz um molho meio rápido, diferente do mole poblano (da região de Puebla) que leva vários ingredientes e é feito mais demoradamente. Uma receita bem próxima da real você pode ver aqui.

Bem, aqui vai então minha versão que guardei na geladeira e comi com frango, com ovo, com o que me deu na telha. E já penso em fazer mais, de tão bom que ficou.  Usei umas pimentas que uma amiga trouxe do México além de ervas como manjericão-cravo e manjericão-anis com o sabor das especiarias que lhes nomeiam.

Delicioso este "Cacau Ouro" 100% integral. De Itacaré - BA 



Molho de cacau apimentado 

Uma banana da terra cortada em pedaços
Um tomate sem sementes
Meia cebola roxa
1 pimenta dedo-de-moça
1 pimenta ancho e outras secas que você possa conseguir (tostadas e deixadas de molho em água quente)
2 dentes de alho
1 ramo de manjericão cravo
1 ramo de manjericão anis
3 cravos
1 pau de canela
1 colher (chá) de grão de coentro
1 colher (chá) de grãos de cominho
1 colher (chá) de pimenta-do-reino em grãos
1 colher (sopa) de gergelim
1 colher (sopa) de melado
1 pedaço de cacau em barra com cerca de 100 g
Meia fatia de pão caseiro torrado
4 colheres (sopa) de amêndoas
4 colheres (sopa) de sementes de girassol
2 colheres (sopa) de manteiga

Como fiz: tostei os legumes frescos, tostei um pouco as especiarias, amêndoas e girassol e coloquei no liquidificador com as pimentas demolhadas e todo o restante dos ingredientes, menos a manteiga. Fui juntando a água da pimenta (onde elas ficaram demolhando) e bati bem até formar uma pasta bem lisa. Coloquei a manteiga pra aquecer e juntei o conteúdo batido. Deixei cozinhar por cerca de meia hora em fogo baixo, juntando mais líquido conforme ia secando, mexendo sempre. Pode juntar caldo de frango, se preferir. Prove, junte sal e corrija algum tempero se achar necessário. Eu provei e achei que faltava um pouco de acidez (na receita que aprendi ia tomatillo que é ácido), então juntei um pouco de vinagre e aí, sim, ficou o bicho!!

Guardei e fui usando com frango assado, ovo cozido, com aqueles beijus de taioba que mostrei no post anterior etc.  Na hora de usar, leve ao fogo e dilua com caldo de frango ou água.

Pronto, invente também você seu próprio molho. E divirta-se!


 



Nhac! 




segunda-feira, 17 de abril de 2017

Beijus de banana-da-terra com taioba e farinha de mandioca

Depois que descobri esta fórmula de beijus - nasceu de uma mistura de farinhas com banana da terra que tem uma ótima estrutura para isto-, faço de várias formas.  Já mostrei alguns aqui e outro de pupunha ali - foto lá no final deste post.  


O último que fiz foi este com taioba. É uma opção tão boa pra comer com sobras de carne e vegetais que a gente dispensa qualquer outro acompanhamento. Como as tortillas mexicanas que abrigam um prato único e completo. Chamo de beijus pois é como são chamados os pães chatos indígenas, geralmente feitos com algum produto da mandioca. O fato é que embalam bem qualquer coisa que queira comer. Segue então esta nova versão que só surgiu porque era o que tinha por perto para acompanhar uns pedaços de frango assado e uma imitação de mole poblano (cuja receita dou depois)




Beijus de banana-da-terra 

100 g de banana da terra cozida e ainda quente
100 g de taioba cozida e escorrida (cozida em água fervente, só até murchar)
100 g de farinha de mandioca fina e branquinha
1 pitada de cominho
Água quente se precisar.

No processador coloque a banana, a taioba, a farinha, o sal e o cominho. Comece a bater pra homogeneizar e junte água quente aos poucos só se precisar. Divida em 10 bolas e achate-as entre duas folhas de plástico, usando rolo ou prensa para tortillas. Cozinhe em frigideira quente dos dois lados até dourar. Vá colocando entre dois pratos enquanto cozinha as outras. Sirva com carne ensopada, peixe frito, legumes, molhos, queijos, saladas. Etc. 

Rende uns 10 beijus


Esta é de pupunha com banana da terra e a receita você pode ver aqui.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Melancia forrageira. Curry de melancia forrageira com tamarindo



Outro dia descobri no meio da braquiária no sítio uma melancia verde clara, quase branca. Demorei pra lembrar que era resultado de sementes que havia trazido de Uauá, sertão da Bahia. Lá e em várias partes do Semiárido é muito usada como planta forrageira, cujos frutos de boa digestibilidade, resistentes, que podem ficar até um ano sob sol forte, são dados aos bodes. Mas não encontrei por lá quem os comesse. Chegando aqui abri, achei parecido com caxi e chuchu. Misturei os três e fiz com leite de coco, coentro etc e ficou muito bom. O sabor de melancia é muito suave, sem açúcar,  e a textura é mais firme, com sementes entranhadas. Depois de cozido fica muito macio, com superfície cremosa. Em nada mais lembra a melancia. Desta vez, resolvi fazer um curry. Como a polpa é muito neutra, ela absorve bem os temperos do meio.

Fui pesquisar pra descobrir mais sobre o uso do fruto na alimentação humana e não achei quase nada a não ser uma notícia do Senar - PB sobre o incentivo de seu uso aqui - e que reproduzo abaixo:
"O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural da Paraíba (SENAR-PB) recebeu na manhã dessa sexta-feira (01) a culinarista e colaboradora do SENAR, Genilda Leal, e do ex-secretário da agricultura do município de Serra da Raíz, Arnaldo Luiz Rosa, e propôs um desafio: criar receitas culinárias com o uso de melancia forrageira.
O Departamento de Educação Profissional (DEP) do SENAR-PB propôs à Genilda a ideia de testar receitas para consumo humano tendo como matéria prima a melancia forrageira. “Essa melancia até agora é utilizada apenas para alimentação animal por seu alto teor hídrico, sendo um alimento ignorado na mesa do produtor rural. Nossa ideia é usar da criatividade da nossa colaboradora para gerar produtos novos e, consequentemente, a possibilidade de renda com essa matéria prima”, explica o Chefe do DEP, Carlos Alberto Patrício.
Segundo Genilda, que pratica culinária há mais de 30 anos e é parceira do SENAR-PB há 20 anos, a melancia tem um potencial muito bom e pode render boas surpresas. “A textura desse fruto é muito boa para a culinária. Pretendo fazer tortas doces, salgadas, empadas, rissoles e outras receitas que com certeza vão encantar e surpreender quem degustar. O SENAR-PB é um grande parceiro porque explora o inexplorado e quando falamos de agropecuária é preciso ousar para vermos o resultado brotar. Tenho plena convicção de que teremos várias receitas novas como alternativa para os produtores que têm esse fruto em casa ou em plantações”, finaliza ela. 
Assessoria de Comunicação Social SENAR-PB
(83) 3048 6073/9928 0819 "

Originária da África (preciso descobrir o nome dela por aí pra pesquisar mais usos - se alguém souber, me diga), tem nome científico Citrullus lanatus var. citroides. A variedade comercial que a gente come é a C. lanatus var. lanatus . 

Não encontrei nada sobre toxicidade do gênero Citrullus, portanto, nada nos impede de comer esta melancia como legume. Só pra ilustrar, aqui vai uma definição de dicionário sobre o gênero encontrado no site:  http://dictionnaire.sensagent.leparisien.fr/Citrullus/en-en/
Citrullus (n.)
1.a dicot genus of the family Cucurbitaceae including watermelons
2.(MeSH)A plant genus of the family CUCURBITACEAE known for the edible fruit.

Portanto, Citrullus é um gênero da família Cucurbitaceae conhecida pelo seus frutos comestíveis e seu consumo deveria ser incentivado no Semiárido onde outras espécies comestíveis são também usadas apenas na alimentação animal, como é o caso da palma. Está aqui, então, uma ótima opção de espécie nutritiva, resistente e útil também para o homem como legume ou ingredientes para doces. 

Segue, então, a receita que fiz baseada naquela outra de curry de tomates que publiquei aqui


Curry ou Caril de melancias forrageira com tamarindo *

2 colheres (sopa) de óleo
1 colher (chá) de grãos de mostarda
1/2 colher (chá) de sementes de feno grego
2 colheres (sopa) de cebolas picadas
1 colher (chá) de gengibre picado
1 dente de alho picado
1 raminho de folhas de curry (karipata)
1 colher (chá) de cúrcuma (açafrão-da-terra)
1 colher (chá) de pimenta vermelha em pó
1 colher (chá) de pimenta-do-reino triturada na hora
1 pimenta dedo-de-moça verde e outra vermelha sem sementes e picadas (se quiser mais picância, mantenha as sementes)
Sal a gosto
1 xícara de água quente deixada com 1 tamarindo por meia hora e passada por peneira
Meia melancia forrageira, sem casca ou sementes, cortada em cubos
10 tomates cerejas cortados ao meio
Para finalizar, um fio de óleo, cebola roxa picada, folhas de curry e pimentas

Aqueça o óleo numa panela e coloque os grãos de mostarda. Assim que começarem a pipocar, junte as de feno grego e, em seguida, a cebola, o gengibre, o alho e as folhas de curry. Refogue por um minuto e junte a cúrcuma (açafrão-da-terra), as pimentas e o sal. Junte a água com o tamarindo, misture e deixe ferver. Junte a melancia, tampe a panela e deixe cozinhar até que o legume fique macio - acrescentando mais água quente se necessário. Prove o sal e corrija, se necessário. Acrescente os tomates, espere murchar e desligue o fogo. Na hora de servir, refogue em óleo cebola roxa, folhas de curry e pimenta e espalhe por cima. Sirva com arroz.

Rende: 6 porções

*use os ingredientes que tiver e substitua as folhas de curry por folhas de pitanga, por exemplo. Ou outro verde do seu gosto.

Amendoim de árvore. Coluna do Paladar de 13 de abril de 2017

Hoje tem Paladar! O texto está também lá no blog do caderno. Ou no jornal impresso. E aqui também:

Amendoim-de-árvore
Já falei nesta coluna de algumas castanhas que temos aos montes por aqui e para as quais não damos a mínima importância, ou por desconhecimento mesmo, já que não estão à venda em supermercados, ou porque as amêndoas de além-mar sempre nos parecem melhor.  Castanha de caju, amendoim e castanha-do-pará (castanha amazônica, pra sermos exatos) todo mundo conhece, mas o que dizer da castanha de baru, de pequi, da sapucaia, do chichá, da monguba e do amendoim-de-árvore? Sem falar das amêndoas dos nossos coquinhos como licuri, butiá, jerivá, babaçu, tucumã e tantos outros.

Pelo menos agora podemos ter amendoins-de-árvore espalhados pelas praças de São Paulo. Pelo menos no meu bairro, num projeto de compensação ambiental, uma construtora mandou plantar vários exemplares de Bombacopsis glabra mesmo em praças já bem arborizadas. O pensamento deve ser este: Tem que plantar mil? Despeje logo tudo o que dá nesta praça mesmo.

Para não ficar apenas lamentando a monotonia das espécies e criticando a forma como é feita esta compensação, o melhor que temos a fazer é aproveitar o que as mudas que não morreram por falta de cuidados têm a nos oferecer a começar pela deliciosa sombra e as energéticas sementes comestíveis que pouca gente conhece. Bem, logo as árvores da praça começaram a produzir frutos verdes que caem de maduros e se abrem no chão, espalhando as castanhas marrons desenhadas com riscos beges.

Mas não é só você que não conhece. Ela tampouco faz parte do meu repertório de frutos da infância. Só fui experimentar estas sementes pouco antes do plantio na praça. Estava na casa do primo do marido no interior de São Paulo e, como não era a visita principal e não tinha muito assunto, passei o tempo olhando cada detalhe da cozinha, reparando mesmo em tudo, até que meus olhos tropeçaram numa assadeira cheia das bolinhas listradas e secas do tamanho de avelãs. Assunto não faltou a partir daí. As castanhas com sabor de amendoim eram para os papagaios, mas havia quem as comesse, fiquei sabendo pelo dono da casa. Lógico que comi várias, o papagaio que comesse sementes de girassol. A casca solta das sementes é firme e quebradiça e se parte com a pressão dos dedos. Por fim, o primo me levou à sua chácara perto dali onde estava a planta carregada de frutos. E como um bom acontecimento costuma vir acompanhado de outras sortes, ou talvez tenha sido só uma coincidência, descobri que a espécie que havia comprado às cegas numa loja de conveniência na estrada a caminho dali e que nos acompanhava naquele momento dentro do carro era a mesmíssima planta que eu acabava de conhecer por inteiro.

Depois disso, nunca mais perdi uma safra dessas castanhas, que vai de de janeiro a abril. E o bom é que, embora a planta seja da Mata Atlântica de norte a sul, é rústica e se adapta a vários tipos de clima e solo. Por isto tem sido muito usada na arborização urbana. Sem falar que ela é toda ornamental, do porte elegante com folhas digitadas às flores em estilo rococó.    

Da família do baobás e da paineira (Malvaceae, antiga Bombacaceae), a Bombacopsis glabra é nativa da floresta pluvial Atlântica, desde Pernambuco até o Rio de Janeiro, e também da mata inundável de várzeas do Pará e Maranhão.  Porém, hoje é pouco frequente em seu habitat natural. Em compensação, é muito usada como planta ornamental, inclusive em vasos, e na arborização urbana no Sudeste, chegando alcançar 6 metros de altura. Os frutos são cápsulas verdes, lisas, sem brilho, com fendas que se abrem naturalmente quando os frutos amadurecem soltando as muitas sementes.  Se você conhece o fruto da parente paineira, saiba que é parecido. Até um pouco de paina a gente encontra entre as sementes.

Seus nomes comuns, castanha-do-maranhão, castanha-da-praia, cacau-do-maranhão e amendoim-de-árvore nos conta um pouco da planta e do fruto. Há quem encontre no sabor um toque de pistache, avelã, coco e amendoim. Eu só consigo sentir a lembrança do amendoim – como se fosse só o lado A do amendoim, a nota agradável e marcante mas sem aquele retrogosto forte que chamo de lado B. Já a consistência das castanhas torradas lembram, sim, avelãs ou outras castanhas bem crocantes. Quando frescas, são leitosas e irresistíveis, mas podem ser também torradas (no forno médio, até que a casca fique quebradiça, fácil de tirar) ou cozidas. São ricas em gorduras e por isto ficam tão crocantes quando torradas. E preparadas assim podem ser usadas como se fossem amendoins ou avelãs em pratos doces ou salgados.

Fiz com elas paçoca  - bati as castanhas torradas no liquidificador com farinha de mandioca torrada, açúcar mascavo e uma pitada de sal -  e não consegui sequer fotografar porque comi tudo num piscar de olhos. Outra receita que quero testar não é minha, mas do Helton Josué Teodoro Muniz, pesquisador que cultiva frutas raras e autor do livro “Colecionando Frutas” (editora Arte & Ciência, 2008). Ele ensina em seu site, www.colecionandofrutas.org, a fazer um substituto para achocolatados. Diz que faz um corte na película das sementes para não estourar e torra na panela ou no forno até que fiquem bem douradas. Bate tudo no liquidificador e coloca a mistura numa panela. Leva ao fogo e vai mexendo até secar totalmente. Coloca de volta no liquidificador, bate mais e passa o pó por peneira fina para separar a película. Ele usa o pó para enriquecer e saborizar o leite como se fosse achocolatado ou para fazer bolos e biscoitos. Diz que tem sabor entre coco e amendoim.

De minha parte, fiz com ela um prato que faria com castanha de caju com a vantagem de que estas não precisei comprar. Colhi todas na praça. Os frutos bem bojudos que não caíram no chão, deixei na fruteira e em poucos dias eles se abriram espontaneamente quando pude recolher as sementes que torrei.

Para torrar: faça corte em cada castanha para que não estoure no forno feito pipoca. Em cerca de 10 ou 15 minutos, em temperatura de 200 graus, as castanhas estarão douradas. Para separar as películas, aperte com os dedos e vá tirando uma a uma. Se preferir, tire toda a casca antes de torrar. Neste caso, leve ao forno ou doure em frigideira sem parar de mexer até começar a dourar. Para fazer farinha, triture no liquidificador com pele e passe por peneira.

Batatas com amendoim-de-árvore

1 colher (sopa) de manteiga clarificada ou ghee
½  xícara de amendoim de árvore torrado, sem pele
3 colheres (sopa) de azeite 
2 colheres (chá) de sementes de cominho
2 colheres (chá) de grãos de mostarda
3 xícaras de cubos de batatas cozidas (na água levemente salgada)
1 colher (chá) de cúrcuma em pó (açafrão-da-terra)
4 colheres (sopa) de uvas passas
10 tomates cereja cortados em metades 1 pitada de pimenta calabresa
1 pimenta dedo-de-moça verde e 1 vermelha, sem sementes, cortadas em tirinhas
Sal a gosto
Gotas de suco de limão fresco a gosto
Folhas de coentro a gosto

Coloque a manteiga numa frigideira, junte os amendoins e aqueça em fogo médio, mexendo sempre. Reserve.
Em uma frigideira grande, aqueça o azeite. Junte as sementes de cominho e de mostarda e espere começar a pipocar.  Junte as batatas e doure-os por 5 minutos. Polvilhe a cúrcuma, misture e, em seguida, coloque as uvas passas. Misture com cuidado e deixe aquecer. Acrescente o  tomate, pimenta calabresa, a pimenta picada e uma pitada de sal. Refogue rapidamente, mexendo com delicadeza, só para o tomate murchar.  Junte o amendoim de árvore e misture.  Espalhe por cima o suco de  limão e as folhas de coentro. Sirva quente como acompanhamento ou espere e sirva morno ou frio como salada.


Rende: 4 porções 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Pancnacity de 08 de abril de 2017


Teve Pancnacity neste último sábado. Esta época do ano é boa para frutos como caferanas e amendoins-de-árvore. Algumas ervas somem, outras começam a reaparecer, como é o caso do mentruz rasteiro, mas no geral conseguimos sempre uma mesa cheia de flores, ervas e frutos.

Durante a caminhada passamos por uma casa no bairro e todo mundo ficou admirando do lado de fora da cerca os pés de bananeira ornamental do quintal. Logo apareceu o dono da casa, o dentista César, e nos convidou para ver as preciosidades de perto. Eram da espécie Musa velutina, bananas asiáticas com frutos que se auto-descascam quando maduros exibindo a polpa cheia de sementes. Tanto a pouca polpa quanto as sementes crocantes são comestíveis.

A turma se divertiu também colhendo os últimos exemplares da safra de amendoim de árvore, castanha leitosa com sabor de amendoim. E falar de amendoim, ainda encontramos muitas caferanas, outra fruta que quando madura tem sabor de manteiga de amendoim.

E o amendoim de verdade apareceu na salada de mamão verde que nunca falta e também na farofa de tanajura ou içá - as formigas eram poucas, por isto o amendoim pra disfarçar ..

Bem, seguem algumas fotos:

Amendoim de árvore

Sabão de soldado ou saboneteira - alternativa ao sabão. Come-se não! 
O dentista César nos mostrando a Musa 

Banana Pink, Musa velutina 
Graviola 
Mel de uruçu amarela com ervas (erva-luíza e garupá ou lavanda brasileira)
Manteiga com flores de cipó de alho 
Bolinho de feijão fradinho com taioba (tipo acarajé) e o outro é de lentilha
rosa, ambos fermentados. Com molho de pimenta e de dendê com
cebolas e pimentas 
Pesto de ramas de cenoura com sementes de girassol, amendoim de árvore,
azeite, alho. 
Farofa com farinha de mandioca de Cruzeiro - AC e içá ou tanajura. 
Saladas de folhas com pancs e ao fundo, de mamão verde apimentada 
Purê de banana marmelo verde, cúrcuma e cebolas 
Feijão guandu 
Nosso almoço 
Bolinhas de melão com "semente" de cabeça de saúva-limão 

Creme de mandioca e iogurte com doce de tarumã 
Turma animada! 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Aproveitando sobras de levain pra fazer spatzle de taioba






Nunca tenho sobra de levain porque faço na medida certa e só guardo um pouco na geladeira - de 50 a 100 g. Quando vou fazer pão, tiro o levain da geladeira um dia antes, acrescento água e farinha até dar a quantidade que eu vou precisar (até 3 kg para a oficina de pão - pãonacity) e espero no máximo 24 horas para que fique borbulhante e eu possa usar.

Mas outro dia quis mostrar justamente isto - que não precisamos de muita isca pra fazer um tantão de levain. Então, o que fiz foi raspar a tigela de levain (da oficina que tinha dado), juntar água, raspar bem e completar com farinha - fiz a olho que era só pra mostrar que, estando a isca de levedura ali, logo logo teria outro tanto de fermento pronto para usar. Em cinco horas já tinha 756 g de levain fermentado. Como era só pra mostrar, usei um tanto para fazer pão, outro tanto para fazer experiências frutradas e ainda sobrou um pouco que aproveitei para testar no spatzle de taioba. Já mostrei spatzles aqui em vários posts - é só ver aí no campo de busca, que vai descobrir o jeito de fazer tendo ou não tendo o instrumento adequado.  Mostro umas gambiarras que dão certo.

Para este spätzle, usei 1 xícara do levain. Mas aqui está a receita certa.

Spatzle de taioba com levain 

1 xícara de levain reformado (só para aproveitar - se não tem, faça uma das outras receitas de spatzle que tenho aqui no Come-se)
1 ovo
1 folha de taioba sem as nervuras cozida em água fervente até murchar e escorrida
1/4 de xícara de farinha de trigo
1 colher (café) de sal ou a gosto
1 pitada de noz moscada

Bata no liquidificador todos os ingredientes, menos a farinha. Despeje numa tigela, junte a farinha, tempere com sal e noz moscada e mexa bem. Tem que ficar uma massa grudenta. Passe a massa pelo aparelho de spatzle (ou vá cortando tirinhas numa tábua molhada ou veja outros posts meus sobre o asssunto), cozinhe como nhoque, tire com escumadeira e reserve. Sirva com o molho que preferir.

Para o meu, fiz assim: dourei bastante cebola em azeite, juntei uns pedaços de tomate, umas folhinhas de erva-de-jabuti, sal e pimenta. Deixe no fogo só para amolecer o tomate. Misturei com o spatzle cozido, juntei mais folhinhas, pedaços e queijo brie, pimenta calabresa e Nhac!   Deu uma só porção.








sexta-feira, 31 de março de 2017

Água de tamali - reedição

Com Tradescantia zebrina e limão 
Epa, você deve estar pensando, eu já vi este post.
Sim, publiquei dias atrás. Uma pessoa publicou no seu facebook a bebida feita com a outra tradescantia, a coração roxo e teve muitos comentários dizendo que era venenosa. Embora, eu tenha visto que no México é usada especialmente a Tradescantia zebrina para o refresco e para o remédio - como quebra-pedras -, a coração-roxo (T. pallida purpurea) também apareceu como medicamentosa e como erva substituta para a água de matalí. Como esta planta absorve metais pesados e é usado como biomarcador e como não temos estudos por aqui, talvez seja melhor mesmo ficarmos só com a Tradescantia zebrina que parece ser mais segura. Bem, apesar de dizer no post que a erva usada no México era especialmente a zebrina 
e de dar uma referência onde a coração-roxo aparecia, reeditei para ficar bem claro. E achei melhor republicá-lo aqui também para não saiam por aí comendo coração-roxo, até que tenhamos mais estudos sobre sua toxicidade em chás (para comer não é bom mesmo). Se já comeu, se já bebeu, não vai morrer por isto, mas precaução nunca é demais. 
Aqui o post editado: 
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Estas tradescantias são vistas aos montes por aí, principalmente em praças e jardins com os quais não se quer ter muito trabalho. Para falar a verdade, nunca dei muita importância a elas - a não ser para a traboeraba
Débora não foi a primeira a me perguntar se a Tradescantia pallida purpurea (conhecida como coração-roxo) era comestível. No livro Plantas Alimentícias não Convencionais (PANC) no Brasil, os autores dizem que “outras trapoerabas também são comestíveis” sem especificar quais.  Débora me disse que a mãe tomou uma bebida fermentada feita com a erva no México. Fui atrás e descobri que nos estados de Tabasco, Yucatán e Chiapas pode ser encontrada uma bebida fresca feita em casa  a partir da infusão, não da coração-roxo, mas da planta Tradescantia zebrina (T.pallida purpurea parece ser usada para o mesmo fim e ambas recebem o nome de “matali”). A bebida fermentada,  ainda não encontrei. Como refrigerante, tem esta aqui
Pelo que vi, a planta ornamental (T. zebrina) de origem tropical e hábito rasteiro são bastante usadas como fitoterápicas - para eliminar pedras renais, curar hemorragias, dores de estômago e diarreias. E também como repelente de insetos e larvicida – combinadas com outras ervas. Um uso importante para a T.pallida purpurea é como planta para biomonitoramento de poluição do ar, já que absorve metais pesado com facilidade.    
A bebida refrescante chamada de “agua de matali” tem uma cor roxa tentadora. Com adição de rodelas e gotas de limão torna-se vermelha – é o que acontece com o pigmento antocianina que é sensível à variação de pH. Como a bebida leva açúcar ou mel e suco de limão, tem sabor de limonada e cor de groselha. A erva em si não tem muito sabor. Já comi da trapoeraba de flor azul e folhas verdes, Commelina erecta, da mesma família Commelinacea, e esta sim tem ao menos textura macia, mucilaginosa e sabor agradável.  Já a zebrina, trapoeraba-zebra ou judeu-errante, esta que usei para fazer o refresco, é insípida e a textura é firme – provei o que sobrou da cocção para o refresco. Imagino que  as folhas possam ser aproveitadas em pratos se picadas ou bem cozidas. Na salada não achei agradável e referência não encontrei nenhuma. Então, por enquanto, fico só com a infusão. 
A T.pallida purpurea também fez uma bebida de cor linda e parece ter os mesmos usos medicinais da T.zebrina.  Não encontrei nenhuma referência de pratos feitos com elas  - provei as folhas cozidas e não gostei - tem textura muito firme e sabor algo adstringente. Aqui vemos as duas sendo citadas como ingredientes para o refresco.  Mas lembrando que esta espécie é usada como um biomarcador de metais pesados e que é rica em oxalatos de cálcio, talvez não seja uma boa ideia consumi-la especialmente se está em áreas poluídas. Melhor ficar só mesmo com a T. zebrina
A coloração do matali é um ótimo incentivo e tem o  doce do açúcar ou do mel e o ácido do limão... Ou seja, é uma limonada colorida e apetitosa. Podemos adicionar suco de laranja e folhas de hortelã e ficará ainda melhor. 
No México,  recebe outros nomes como hojas de cucaracha (difícil de acabar com a planta que se espalha como baratas) ou moradilla – por causa da cor.
Então, para variar os corantes vermelhos e dar um descanso para o hibisco, que tal usar zebrina? Para evitar confusão e ao mesmo tempo homenagear o México que tanto tem a nos ensinar (e aos norte-americanos, mais ainda), vou usar para o refresco o mesmo nome que a bebida recebe por lá: “água de matali”.
Água de Matali
Ferva 1 litro de água com 1 xícara ou mais de folhas de matali (zebrina, trapoeraba-zebra) e espere esfriar ainda com as folhas. Coe, adoce a gosto e junte suco de um limão. Sirva com rodelas de limão e bastante gelo. Com folhas de hortelã ou menta, se quiser. 

terça-feira, 28 de março de 2017

Bolo de laranja de liquidificador

Só pra constar. Nem precisava ter esta receita aqui porque você pode encontrá-la fartamente por aí. Porém, como perguntaram a receita no instagram, deixo registrada aqui também. Gostaria de saber quem inventou para creditar decentemente a fórmula, mas parece que isto já se perdeu. Por isto, já aviso que não inventei nada desta vez. Só copiei o que parece ser de domínio público e resisti a mudanças - não diminuí nem o açúcar. Acredita? Mas pode diminuir um pouco, sim. Vai ficar menos dourado, mas acho que ficará melhor. Uma pitada de sal também vai bem.

Com café fresco. Nhac! 
Bolo de laranja
Basta bater no liquidificador 3 ovos, 200 ml de óleo, 1 e meia xícara de açúcar e 1 laranja inteira cortada ao meio, sem sementes e sem o miolo branco. Eu usei laranja bahia e por isto ele ficou bem amarelinho e com sabor suave. Acrescente 1 e meia xícara de farinha de trigo e bata mais. Junte1 colher (sopa) de fermento em pó e continue batendo. Se seu liquidificador tiver dificuldade pra bater a farinha de trigo, deixe esta mistura pra ser feita numa tigela: coloque na tigela farinha e fermento peneirados, jogue por cima a mistura do liquidificador e mexa pra homogeneizar, sem precisar bater. Despeje em forma com buraco no meio untada com manteiga e enfarinhada. Asse em forno médio pré-aquecido por cerca de meia hora ou até que ao enfiar um palito no meio ele saia limpo. Desenforme e jogue por cima uma calda feita com geleia diluída em suco de laranja ou faça como eu que simplesmente misturei um pouco de suco de laranja com açúcar - mais ou menos suco de uma laranja pera com umas 3 colheres (sopa) de açúcar. Joguei por cima enquanto ainda estava quente.  E nhac!

Obs: minha vizinha Maria faz um também delicioso usando esta mesma receita. Só que ela acha muito forte o sabor da laranja. Então, ela usa só o suco de 1 laranja e meia. O resto é igual. E fica divino de bom.