sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Frigideira de maturi


Nunca experimentei a mais famosa frigideira de maturi da Bahia, a da Dona Canô, mãe do Caetano Veloso. Mas posso garantir que esta, feita especialmente pra mim pela minha amiga Silvinha, foi a melhor que já comi. A única, está certo, mas e daí? Estava aerada, úmida, perfumada, deliciosa (daria para quatro, mas comemos inteira, nós duas).
Não é época de maturi, a castanha do caju ainda verde, cuja safra vai até o final do verão, mas Sílvia ganhou um quilo da cunhada Aninha, que, por sua vez, havia comprado congelado do Beto Pimentel que, por sua vez, só vendeu porque era pra ela. Comemos um tanto dele refogado com arroz e, no último dia, ela fez uma frigideirinha rápida. Segundo me explicou, poderia ter por cima cebola roxa ou rodelas de tomate. Mas colocou os pedaços desconexos de cebola que sobraram e, ainda assim, ficou com uma aparência tentadora. Esta minha amiga é uma baiana que não gosta muito de azeite de dendê, então só usa o azeite doce, como chamam por lá o azeite de oliva. Mas eu gosto e arriscaria botar um pouco. Fiquei imaginando a mesma fórmula com os brotos de feijão caseiros - a textura do maturi me fez lembrar deles.

Frigideira de maturi (receita de Sílvia Lopes)


2 colheres (sopa) de azeite
2 dentes de alho socado com 1 pitada de sal
1 cebola pequena picada
1 tomate pequeno picado
500 g de maturi enxaguado e escorrido
150 g de camarão seco (descascado, lavado, demolhado em água fria por 1 hora e escorrido)
3/4 de xícara de água
4 colheres (sopa) de coentro picado
100 ml de leite de coco
3 ovos (claras e gemas separadas)
2 colheres (sopa) rasa de farinha de copioba (ou outra farinha de mandioca fina)
Rodelas de cebola, pimentão e tomate a gosto (para enfeitar)

Numa panela, em fogo médio, aqueça o azeite e refogue aí o alho até dourar. Junte a cebola, o tomate e o maturi. Refogue, mexendo para misturar os temperos. Acrescente o camarão e a água e cozinhe em fogo baixo até o maturi ficar macio e a água secar. Junte o coentro e o leite de coco e misture. Deixe reduzir um pouco até sobrar pouco caldo. Prove o sal e corrija, se necessário. Reserve. Bata as claras em neve com uma pitada de sal. Junte as gemas e bata até a mistura ficar bem aerada. Junte a farinha de mandioca e misture delicadamente. Retire 4 colheradas desta mistura e misture com o maturi. Coloque o maturi numa forma refratária untada com manteiga e polvilhada com farinha de mandioca. Despeje por cima os ovos batidos. Decore a gosto com rodelas de cebola (se tiver, use roxas), rodelas de tomate, de pimentão. Leve ao forno bem quente pré-aquecido e deixe dourar.
Rende: 4 porções
Maturi congelado para a entre-safra

4 comentários:

Marcia H disse...

eu adoro maturi, dá um trabalho danado abrir as castanhas verdes, era muita mao queimada quando crianca...

nao conheco o restaurante de Beto Pimentel, mas vou lá testar daqui a uns 15 dias

Maria das Graças disse...

Sou cearense e quando criança tinha ao meu redor muitos cajoeiros e um mundo de cajus e castanhas. Nunca tinha ouvido falar em maturi. Não consigo imaginar como se abre uma castanha verde com aquela resina que queima e marca a pele. Marcia H como se abre castanhas verdes? Elas são assadas antes?

isabel lopes disse...

Que belo PAÍS o Brasil, tanta coisa boa para comer, quando aí vou de férias adoro provar todas essas delicias. Acho lindo o fruto que dá a castanha de caju, nas ultimas férias provei sapoti entre outros.

Marcia H disse...

Maria das Gracas, se abre com uma faquinha, de preferencia de lâmina curta, curvada, amolada e de ponta. A castanha verde solta uma espécie de óleo que causa queimaduras e rachaduras na pele. Usava-se plástico para proteger as maos, mas mesmo assim era inevitáveis as queimaduras e rachaduras. Acho que hoje eu usaria luvas de borracha rsrsrs vivendo e aprendendo
A receita da frigideira foi imortalizada por Jorge Amado em Tieta do Agreste.