segunda-feira, 13 de abril de 2009

Resposta à charada do post anterior: maxixe liso

Obrigada a todos que deram seus palpites. Maxixe liso é a resposta. E quase todo mundo acertou. Eba!

Estamos mais acostumados com os maxixes espinhudos – na verdade, espículas macias e flexíveis. Estes lisos aparecem no mercado de vez em quando e estes comprei no Mercado da Lapa (pra variar). Da mesma família dos chuchus, melões, melancias, kinos e abóboras, o maxixe, Cucumis anguria, é parente mais próximo do pepino, do mesmo gênero Cucumis.
Está aqui mais uma das contribuições africanas à nossa dieta. E se no Centro Sul o maxixe careca ou cabeludo não faz grande sucesso, no Rio de Janeiro, Norte de Minas, região Nordeste, Sul de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ele é tão popular quanto quiabos e jilós. E por falar em jiló, há maxixes super amargos. Tanto que é comum, entre os mais experientes, ir cortando uma tampinha na altura do talo e lambendo para conferir o amargor. Se este pedaço denuncia, o fruto todo sai de cena para não contaminar os outros. Isto foi o que Eliana me contou. Acho que não me importaria com isto, já que gosto de jiló e coisas ainda mais amargas. De qualquer forma, a maioria das variedades brasileiras não é amarga, diferente dos tipos africanos.

O que define se um maxixe é liso ou abundantemente espiculoso é um par de genes que podem ser duplamente recessivo ou duplamente dominante. Heterozigotos saem com grau intermediário de espículas. Mas esta pode ser uma característica selecionada e melhorada. O cruzamento da espécie Cucumis anguria com C. longipes também resulta em variedade lisa, conhecida como maxixe paulista.
Bem, os maxixes espiculosos fazem rodelas com desenho interessante. Mas normalmente são raspados para ficarem mais agradáveis de comer. Já os lisos podem ser fatiados com casca ou cozidos inteiros. Picadinhos, podem entrar em saladas como os pepinos. E no picles um e outro se saem muito bem.

Como a baiana Eliana ficou feliz de ver os maxixinhos lisos e raros, dei para que ela o preparasse ao seu modo. Aliás, foi a primeira vez que a deixei pilotar o fogão – ela avisou que não sabia cozinhar quando chegou aqui e desde então o almoço dela sou eu quem faço. Só me arrependi de não tê-la incentivado antes. A danada corta tudo com delicadeza e tempera muito bem. Disse que gosta de maxixe de um tanto que quando chegava cansada da roça não precisava de carne nem nada. Bastava um arroz com este refogadinho de maxixe que faz na pressão, pra ser mais a jato ainda. As sementes dão uma crocância agradável.


Refogado de Maxixe (por Eliana Santiago)

2 colheres (sopa) de toucinho picado (pode ser bacon)
1 colher (sopa) de óleo
1 kg de maxixe liso (11 unidades) fatiado
½ cebola roxa picadinha
2 dentes de alho picado finamente
½ tomate maduro
1 colher (chá) de colorau (urucum)
1 pedaço de pimentão vermelho picado fininho (cerca de 3 colheres de sopa)
1 pimenta dedo-de-moça sem sementes picada
2 colheres (sopa) de coentro picado
1 colher (chá) de sal
½ xícara de água

Numa frigideira, derreta o toucinho no óleo e quando estiver dourado junte a cebola e o alho e refogue até começar a dourar. À parte, numa panela de pressão pequena (pode ser numa panela comum), ajeite todos os outros ingredientes, despeje o refogado por cima, cubra com a água e tampe a panela. Conte 5 minutos depois que a válvula começou a chiar, desligue o fogo, passe a panela pela torneira para acabar logo a pressão e abra a panela. Se fizer em panela comum, monitore a água, adicionando aos poucos, e cozinhe por tempo maior, até o maxixe ficar macio. Prove o sal e corrija, se necessário.

Rende: 4 porções

11 comentários:

Bianca Elisa disse...

Nossa, Maxixe?
Acho que o Junior já comeu isso, eu nunca. Vou mostrar a ele.
Beijos e uma ótima semana pra ti

Marcia H disse...

Uau, perdi a xarada.

Achei semente de maxixe aqui na quinta passada. Anotei o nome e ia pesquisar pois estava declarado com nome comum de "pepino decorativo". Agora já sei que posso comprar e plantar no meu quintal.

Mariângela disse...

Neide,a Eliana escondeu o jogo da gente então. Quem sabe ela me ensina um dia uns rangos nordestinos,beijo!!

Anônimo disse...

Esta farofa é do maxixe:

Farofa de maxixe

Ingredientes:
6 maxixes cortados em cubinhos
azeite
2 ovos
1 cebola pequena cortada em cubos
2 dentes de alho amassados
farinha de mandioca
sal e pimenta vermelha a gosto
Modo de fazer:
Aqueça o azeite, acrescente a cebola, deixe dourar, junte o alho e frite. Acrescente o maxixe e refogue até ficar macio. Tempere com sal e pimenta (opcional), junte os ovos, deixe fritar e mexa. Em seguida, junte o cheiro verde e a farinha de mandioca e mexa bem.

Neide Rigo disse...

Obrigada, Bianca!

Márcia, será que ele vai bem por aí? Depois me conte.

Pois é, Mariângela, agora fiquei animada.

De delícia de farofa, obrigada (qual seu nome, anônimo?).

um abraço, N

Neide Rigo disse...

A farofa é do Hayrton Prado, que fazia para a filha com ervilha torta, mas resolveu fazer com maxixe e deu muito certo. Obrigada, Hayrton! Um abraço, N

Anônimo disse...

Mais que maravilha! Como moro na Alemanha, passeava hj pelo mercado e vi uma oferta de Gherkin, olhei, apalpei e abri um sorriso que a moca da banca nem entendeu quando eu quase gritei MAXIXE! Vou fazer a receita do refogado amanhã mesmo!

jozebraga@hotmail.com disse...

adorei a receita , adoro maxixi so nao sabia como fazer, obrigada, vou fazer logo logo.bjos a todos

jozebraga@hotmail.com disse...

adorei a receita , adoro maxixi so nao sabia como fazer, obrigada, vou fazer logo logo.bjos a todos

Nanda Larocerie disse...

Adoro seu blog, Neide e venho com frequencia! Infelizmente hoje, ao pesquisar informações sobre o maxixe, encontrei esse seu post e também encontrei outro, em outro blog, usando as suas fotos sem ao menos te mencionar. Dando a entender que são dela. Muito feio isso! Gosto de gente autêntica e com conteúdo próprio (e interessante!), como você. Fiquei tão chateada com isso, como se ela tivesse roubado minha foto! Não consegui comentar lá. Te deixo o endereço. Beijos!

http://mylenemacedo.wordpress.com/2012/07/11/maxixe-pra-comer-e-dancar/

Neide Rigo disse...

Nanda, obrigada! Também não consegui comentar, mas deixe pra lá. O importante é que você sabe que a foto e a receita são minhas (a receita, na verdade, da Eliana).
Um abraço, N